quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Como aos 15 anos

Escrevi várias linhas, mas apaguei todas. Elenquei -- até com riminha e tudo -- algumas palavras do tipo Reunião, Cervejão, Declaração, Atração, Tesão. Em seguida, me comparei até com as tolas virgenzinhas, ou melhor, com as ex-virgenzinhas apaixonadas, depois da primeira trepada. Mas tudo foi em vão.

 Hoje, tentei investigar a razão desta sensação dominical totalmente estranha, que me perturbou durante todo o dia. Percebi seus sintomas há uns 10 anos, no tempo em que eu escrevia para uma menina com nome de flor [Rosa, de Roselí], versos e declarações apaixonadas nas folhas que sobravam do caderno de 20 "matérias" que levava para a escola. Agora, ei-me aqui, escrevendo novos versos, para alguém que conheci há 2 anos.

Na página de Word, onde deleto e escrevo, escrevo e deleto, noto que – literalmente – para valer, o esbarro aconteceu apenas na noite passada. Me sinto como aos 15 anos, tentando entender algo do tipo: “tô pensando em você além da conta ou tô é endoidando?”.



Vejo suas fotos no Facebook. Leio suas crônicas. Mas para quê, se eu já te conhecia antes? Não dá pra negar então que a primeira alternativa é a que mais cabe. Uma madrugada de sábado regada a Skol, amigos, elogios e, depois, revelações.

O cenário: uma lanchonete de beira de esquina da Praça da República. E agora, um dia depois, ao som melódico das letras pé-na-bunda de Adele (que eu já não escutava há tempos), me encontro no 5º parágrafo, escrevendo coisas que podem ser babacas e piegas.

 Eu poderia dizer “Eu não sei por que eu estou assustado, já senti isso antes. Cada sentimento, cada palavra. Já imaginava tudo. Você nunca vai saber se não tentar.” Mas sei que diria: "Popará. Aí também já é demais. Nem é pra tanto". E eu assinaria embaixo.

Mas, na verdade, este é um trecho, que tem lá suas "parença", com esse tal sentimento estranho. E, coincidentemente ou não, estes são os trechos de One and Only. Sem o som de Adele, é do barulho dos clientes à espera de seus hambúrgueres, que seguimos nossos discursos e assumimos nossa vida além dos blogs.

Encosta-se na parede. Enquanto apenas fito-lhe como se, de fato, estivéssemos nos conhecendo verdadeiramente a partir daquele momento:

- Tem Skol?
- Só latão.
- Manda dois.
- Posso te falar uma coisa?
- Pode.
- Eu quero te beijar.

É um querer e uma esquiva. Não do meu corpo apenas, mas da amizade, que há poucas horas não passava de histórias de vida análogas.

Prosseguimos, além da similaridade de nossas trajetórias. Sabemos que não apenas escrevemos bem. Eu ouço-lhe, ao mesmo tempo em que encaro-lhe com força -- como uma transa selvagem. Meus olhos continuam na mesma mira, incansavelmente.

Minhas mãos se apoiam em seus ombros, simultaneamente, desejando e autoapartando o resto do meu corpo do seu corpo. É uma relação paradoxal. Abraçamo-nos, sem querer querendo -- mas eu estou querendo.

Em dois anos, seu aperto de mão, ou no máximo um abraço tímido, foram os únicos contatos físicos... Até eu sentir, enquanto me segura, sua boca se encostar ao meu pescoço por meio de beijos. E, na despedida, um beijo desajeitado.

Tô parecendo como aos 15 anos, embora saiba que já se passou uma década. Mas foda-se se eu tô bancando papel de bobo ao recordar uma noite que pode ser esquecida como um livro e um bloco de anotações. Cheguei a esses 3.407 caracteres, a1h52, pra dizer que “fiquei com sua revelação na cabeça. E depois dela você”.

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