sábado, 17 de março de 2012

A inscrição


Escola Estadual Profº Homero dos Santos Fortes, Paraisópolis, SP

Dona Nair, 50 e poucos anos, está na rua conversando com mães que aguardam os filhos, que desde às 7h da manhã estão defronte ao ainda quadro negro.  Desde que me entendo por gente, ou mais precisamente no alto de 1997, dona Nair carrega nos cabelos crespos estilo `joãozinho` o branco da idade. Na voz grave, bradava nos corredores de seu antológico serviço, a impotência de sua profissão: monitorar as centenas de alunos que passam diariamente pela Escola Estadual Homero dos Santos Fortes, encravada na rua que carrega o nome do sociólogo e filósofo inglês Herbert Spencer.

Em Paraisópolis, a escola funcionava apenas o ensino fundamental. Muitos anos mais tarde, deu espaço somente aos alunos de ensino médio. Hoje, abriga apenas estudantes que interromperam os estudos ao longo da vida. Treze turmas de EJA (Educação de Jovens e Adultos) dão a oportunidade para estudantes a partir dos 18 anos de idade, a retomada dos estudos.

Diferentemente de tempos em que conquistar um cadeira em uma sala de aula da comunidade era raridade, atualmente a oferta de vagas aumentou, e pode-se dizer que “não estuda quem não quer”. 

Paraisópolis tem cerca de 15 mil analfabetos, anuncia a Associação de Moradores. Em tempos que leilões Programas de Alfabetização angariam fundos, carros de som e faixas em muros e postes convocam jovens e adultos ao retorno das aulas.

Beirando o meio-dia,  no alto de uma quinta-feira de março, treze anos após pisar diariamente no “Homero”, além de dona Nair, a desde sempre vice-diretora Lais, de cabelos amarelos e olhos fortemente azulados revestidos pelas lentes de um óculos de aros verdes, cumprimenta moradores em frente ao colégio. Aproximo-me dela a fim de não resgatar em sua memória minha fisionomia, intencionando que ela me dissesse “Quanto tempo! Como você está?”.

Ele me cumprimenta como se me conhecesse. Aborto o dialógo em potencial, perguntando se o ensino fundamental ainda é oferecido na escola. Um “faz tempo que não é mais" é ecoado por sua voz doce.  Nesse momento ela ampara sua mão em meu braço, e preocupada, indaga: “Você ainda não fez sua inscrição?”. Mais de uma década mais tarde em que havia cursado a 4ª série C, eu não estava na minha antiga escola para fazer uma inscrição para o EJA. 

Queria rever os muros que me abrigaram durante quatro anos de minha vida. Treze anos depois, encontrava-me, como jornalista, a fim de não simplesmente rever os ainda funcionários de minha ex-escola, mas entrevistá-los para uma matéria sobre o cenário educacional na comunidade, que ainda, e infelizmente, continua precário, ascendendo, claro, mas a curtos passos.

Aqui você vê um blog da escola feito pelos professores.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Como assim?


Foi com a indagação que intitula essa crônica que Hiajaira me bombardeou quando nos vimos depois de alguns anos. Na verdade foi um “Como assim?” demasiadamente surpreso, uma interrogação incrédula, uma imprevisão renegada à priori.

Meados de junho deste ano, ei-me novamente adentrando a Feira da Madrugada, local famoso pela venda de produtos de baixo custo. Localizada na região central de São Paulo, a “Feirinha”, como é chamada por alguns, foi o primeiro local onde trabalhei assim que cheguei na capital pela última vez, em 2007.

Hiajaira era uma das clientes do “Café do Trilho”, que de café não tinha nada. Num lugar minúsculo revezavam os quatro funcionários: três atendentes, o caixa e o sub-gerente. Eu era o caixa, o rapaz que ficava trancafiado dentro da saleta do lado de fora do trailer.
A nossa cliente passa por lá todos os dias. Assim como grande parte dos comerciantes que ali ganham seu ordenado.

Hiajaira é peruana. Uma linda peruana de cabelos alisados naturalmente pela genética. Pele amorenada e traços finas.  Tinha apenas 15 anos naquele tempo e adorava misto quente.

Três anos depois, regresso àquele lugar que já não é mais o mesmo. Afinal, muito se mudou por ali, desde a organização das barracas, até mesmo a área coberta que agora livra todos os comerciantes da chuva.

A menina, que agora se encontra em seus 17 anos, se surpreendeu assim que eu tirei o gravador e apanhei um bloco de notas. “Como assim?”, atacou ela. Ora bolas, vim fazer uma entrevista com você. Definitivamente ela não conseguia me visualizar com a profissão que ali incumbia. Para Hiajiara, como aquele rapaz que encontra quase que diariamente preso dentro daquele caixa havia tornado-se repórter?! A resposta foi “tornado-se”.

Podemos nos tornar nossos próprios heróis, ao invés de convivermos com o inimigo chamado "comodismo".

Veja também  operando o caixa.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A cama vazia de Mané



Mané não divide a cama com uma mulher já faz um bocado de tempo. Separado de Elenildes, sua ex-esposa, com quem esteve casado por, pelo menos, uma dezena de anos, passou a ser seletivo para com as mulheres. Preferiu apropriar-se definitivamente do clichê que não se cansa de arrotar, assim que é indagado por alguém que lhe exige explicação por sua ausência de uma ‘dona’. Desde que foi vítima da infidelidade conjugal, é “antes só do que mal acompanhado” que Mané garante ser sua principal filosofia de vida.

O filho mais velho de seu Manoel e dona Cleonice não pertence às estatísticas da média local de natalidade. Mané vive em um povoado de Barra do Choça (BA), o quase cinqüentão teve somente dois herdeiros – a maioria das famílias garante ao menos 4 a 5 crias.

Elenildo é o primogênito, no vigor de seus 23 anos. A caçula, Fernandinha, em breve, dará ao pai o primeiro neto. A adolescente saiu de casa depois de viver com a avó paterna; quis seguir a teoria da mãe de seu pai que pregava a libertinagem da neta. E a profecia se realizou. Em seus curtos 16 anos, Fernandinha se amasiou com um rapaz que, para o pai da mais nova grávida da praça, é “um moço direito”. O mancebo de 19 anos lucra um ordenado mensal considerável. O trabalho como gesseiro tem lhe consentido gastar com roupas caras, para revolta da avó da moça. Para dona Cleonice é preciso saber viver direito e não luxar como tem feito o casal de jovens.

É em cima duma moto peitada com o serviço de gesso em que o casal visita o pai e almoça, ora ou outra, com os avós. Com o bucho que agora guarda uma criança de sexo ainda indefinido a menina espera mais dois meses para parir.

Mané vive do trabalho da lavoura. É na colheita de bananas de espécies variadas a garantia de seu salário              invariável. Entre abres e fechas, ele mantém defronte a sua casa a venda sem nome. Duas mesas de sinuca vivem sempre ocupadas por jogadores amadores. Uma ficha custa 50 centavos – o mesmo preço de um copo de pinga. Fedegozo, carqueja e a clássica purinha são algumas dos tipos de cachaça que o bar dispõe aos fregueses. Ali não falta cerveja, nem refrigerante, assim como mortadela a cinqüenta centavos “um dedo”, amendoim, pimentinha e doces.

Mané é livre, não como os pássaros em que aprisiona em gaiolas feitas de taquara, mas convive sem a necessidade de uma “dona” ao seu lado. Se por amargar durante todos esses anos o peso da infidelidade, ou se por não sentir, de fato, a carência de uma presença feminina em seu lar, ele vive com a alegria do bar que, a cada final do dia, enche de fregueses quem lhe traz o sorriso alegre de quem não se esmorece com as traições da vida.

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Esta crônica faz parte da série "Cafés baianos", que conta as histórias de pessoas e dos povoados da cidade de Barra do Choça (BA) - cidade em que nasci e vivi alguns dos anos mais felizes de minha vida.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um lugarzinho no sudoeste da Bahia

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Um lugarzinho no sudoeste da Bahia, um álbum no Flickr.
Ali tem histórias da vida rural, perfis, cantos de passos e recantos de donas Marias e seus Joões. Foi ali que nasci. E hoje, embora não morando ali, é aonde volto a cada ano e em toda oportunidade visito através de minhas crônicas.
Seja bem-vindo!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Era uma vez a minha casa


Minha extinta casa, no Povoado Cavada II

O que era uma casa erguida, agora são dezenas de tijolos de barro empilhados uns sobre os outros. Ali havia seis cômodos: sala principal e de estar, cozinha, dois quartos e um banheiro – todos modestamente simples e pequenos. Hoje, a propriedade dá espaço às lembranças de um lugar onde passei os primeiros anos de minha vida.

Era uma vez essa casa... A minha casa: com um pé de goiaba no rumo da cozinha, logo nos fundos; na frente, uma árvore cheia de espinhos e flores avermelhadas e na lateral, uma rocinha de café.

Era uma vez essa que foi a minha primeira aonde meus pais se mudaram assim que se casaram, o recanto onde fui gerado e onde aprendi a dar meus primeiros passos.

Ali vivemos dez anos de nossa vida. Na casa de telha eternit muitas vezes quebrada pelas bolas de futebol que vinham do vizinho – o campo de futebol. Ali recebemos os amigos e parentes. Instalamos energia elétrica "puxada" da casa do meu tio; só não nos poupamos de buscar água no rio. Moramos perto da nascente aonde tomávamos banho, ora ou outra. Ali compramos pela primeira vez também uma televisão colorida, plantada na estante de madeira legítima.

Aquela era nossa casa, exatamente assim, no pretérito perfeito. Enquanto erguida nos rememorava às lembranças de quando naquele canto nos instalamos durante anos a fio de nossas vidas, onde se criaram três dos cinco irmãos.

Agora não passa de um terreno com uma porção de blocos, sem a grama que plantamos desde as laterais, onde foi fincado um jardim com roseiras, cravos e margaridas, onde, pela janela, ei avistava minhas tias carregaram sobre a cabeça as roupas lavadas no rio e meus primos com suas bolas sob o braço a caminho do campo. Ali onde eu cresci. 

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Esta crônica faz parte da série "Cafés baianos", que conta as histórias de pessoas e dos povoados da cidade de Barra do Choça (BA) - cidade em que nasci e vivi alguns dos anos mais felizes de minha vida.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O oceano de Marli

Aquela menina de cabelos rebeldes e pele amorenada sonhava tornar-se professora. Jeito para o ofício não lhe falta. Dias prósperos de um futuro promissor pareciam levar Marli ao fardo do sucesso.  


Inteligência era palavra em abundância no vocabulário de sua vida. Aos 11 anos, atingia a quinta série - feito inalcançável pela maioria, que perdia o prumo dos estudos, ora pela reprovação, ora pela troca da sala de aula nos períodos em que a lavoura de café renderia um poupado ordenado no final da colheita. Tudo ali, na região do Capão Verde, povoado ao sudoeste da Bahia. 


Na sala de aula, qualquer conteúdo era dominado com facilidade pela baiana do sorriso farto de dentes brancos. Os trabalhos escolares eram impecáveis. A temida matemática parecia não ter vez com a gargalhada aguda de Marli. O ensino médio foi desbravado com facilidade por ela: a dona das notas mais altas da turma.

Mas o mar tornou-se rio, assim que Marli careceu largar os ainda intangíveis estudos superiores para, naquela ocasião, aprender o bê-a-bá do matrimônio e, em seguida, da maternidade. Aos 19, se casou; antes de completar uma vintena de anos deu à luz a sua primeira herdeira.

Os braços que carregariam os livros da tão sonhada licenciatura se trasladaram ao balanço de Iasmim e à incumbência dos ofícios domésticos. De estudante universitária, Marli converteu-se à dona-de-casa, depois, com a necessidade de um serviço remunerado, asseverou a sonhada sala de aula: mas não com o posto de educadora, e sim como faxineira, mais tarde, na função de merendeira.

Marli está afastada de seus sonhos, apaziguados pelas dificuldades de habitar em um lugar onde se respira muito mais que o ar puro, mas as amargas restrições.

E mesmo que transporte no nome o prefixo da palavra que analogicamente representa o infinito, o mar dessa baiana contraria-se aos seus dias que são todos iguais. Seu sorriso bravo não sentencia os dias mansos: enquanto faxina a casa, ela canta no ritmo da música alta que invade os cômodos. E o suor que escorre de seu corpo não afoga seu sonho, embora ainda em teoria, – porém felizmente – ela cultiva e, a seu modo, persegue as esperanças da menina que mais do que querer ensinar, está cotidianamente aprendendo a viver.

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Esta crônica faz parte da série "Cafés baianos", que conta histórias de pessoas e lugares dos povoados da cidade de Barra do Choça (BA) - cidade a qual vive durante muitos anos da minha vida.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Amanhecendo na roça



Depois do almoço, Zé prepara o alimento aos seus quatro cachorros. Diamante é um membro da matilha: o seu cão-panheiro,  o canino com o qual adentra as matas em suas caçadas rotineiras. Arroz, feijão com farinha regado a óleo de soja ou caldo de carne cozida. O filhote é alimentado dentro de casa. Ali mesmo, na cozinha, estira a comida com a forma de um montezinho. Os cães ficam do lado externo, e para que a briga não aconteça, Zé também edifica mais dois morrinhos. As galinhas se aproximam, a fim de beliscar um pouco da refeição. Com uma vassoura, o dono da cachorrada tange as aves, que minutos depois engolem os restos inalcançáveis pelos caninos.

O almoço acontece entre 11h30 e 12h30, quando o patriarca da casa chega, depois de trabalhar cinco horas. Zé está rebocando a residência recém levantada por outro pedreiro. Lá, trabalha ‘por dia’, e pela diária de oito horas embolsa 20 reais.

Vera, como a grande maioria das mulheres na região, é dona do lar. É ela quem vigia os quatro filhos, as galinhas, os cachorros, os gatos e os passarinhos. Na casa deles há poucas gaiolas; quatro no total. Enquanto noutros domicílios esse número alcança a marca de, no mínimo, meia dúzia.

É assim na casa de dona Aliça. Há rolengos, sabiás, estraladores e coquis. Sem aparelho de som, é o barulho do galo e dos passarinhos engaiolados que quebram o silêncio do vazio.

Na cozinha, há uma sabiá-verdadeira prestes a mudar de cor. O colorido dá vida ao pássaro depois de certa idade. No tempo em que dona Aliça cozinha, a ave cantarola sem pudor. À tarde, como de praxe, verifica se o marido fechou o poleiro. É lá que as aves dormem quando a noite desmonta; quando o sol está nascendo é ela mesma quem se encarrega de abrir a casa das aves e alimentá-las mais tarde.

É assim, a cada novo amanhecer.

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Esta crônica faz parte da série "Cafés baianos", que conta histórias de pessoas e lugares dos povoados da cidade de Barra do Choça (BA) - cidade a qual vive durante muitos anos da minha vida.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

As dores crônicas de Maria

Ilustração Thiago Calle

Ela está mais magrinha desde a última vez; dos 59 quilos, somente 45 deles lhe suportam o peso do corpo revestido por uma pele morena escura já penalizada pelo sol de cada dia. Maria está em casa, no lugar que deveria chamar de lar doce lar, mas agora recebe o nome de prisão.

Nas paredes persiste a mesma coloração de sempre: o turvo da fumaça do carvão expulsa pelo fogão a lenha. Na saleta, os enfeites acomodam-se junto aos aparelhos de rádio ainda movidos a fita cassete, os televisores sem funcionamento e o portarretrato da formatura do ensino médio da filha. No chão do piso “queimado” de vermelho restam as derradeiras e poucas pegadas de quem passou pelo casebre com mais dois quartos pequeninos.

Maria segura os cabelos rebeldes e examina-os, contrariada; sente a ausência das tranças que dia antes compunha seu penteado. Em seu terno desejo, as madeixas seriam alisadas, espichadas por um secador. Contudo, em sua realidade cotidiana, é um mero elástico de borracha quem desmazela sua imaginação e aprisiona os cachos crespos.

Ela está sentada no sofá penitenciado pelo tempo – o mesmo tempo que também a castigara. Nos olhos afundados no rosto fino, ela esconde os dias em que as risadas saiam mansas e pulavam gratuitamente de sua garganta. Ela ajeita nos ombros a blusa verde de alcinha que já suporta não o peso de seu tronco, mas de seu constante pesar.

Maria admite não estar bem, embora – e infelizmente – transpareça claramente em seu semblante. Toda vida reclamara das dores: as enfermidades físicas têm acompanhado seu destino há um bocado de anos; ora o bico de papagaio, quando não as dores de cabeça e nas pernas.

A dois anos para alcançar os 40 anos de idade, Maria cultiva as memórias desgastadas, enfraquecidas pelas preocupações e tristezas, suas principais companhias. O companheirismo do matrimônio perdera o vigor da época em que era uma ligação sem melancolias e estorvos.

Pertencer ao evangelho é outra sobrecarga para Maria. Afinal, como pode transportar consigo o pecado? E ele atinge seus pensamentos (já feridos) quando os desejos lhe tomam. A cerveja noutras ocasiões matara sua sede, hoje em dia lhe é velada. Assim como o álcool, não lhe são mais permitidas as calças compridas e a tintura na cara, mas a imposição do barulho das caixas de som durante a pregação na Assembleia de Deus, todas as terças e quartas-feiras.

Maria encontrou o caminho do médico onde recebera drogas para frear os pensamentos que lhe têm perturbado. O doutor garantiu trazer-lhe o sono, enquanto a bula expõe através das letras miúdas o uso oral do medicamento para o controle de possíveis ataques de epilepsia e depressão.

Solitária, ela queixa-se da ausência dos amigos em sua casa, ao mesmo tempo em que resigna o fato de não poder recebê-los no lar distante de seus sonhos, ali onde sua filha se envergonha de receber um namorado,  ali onde, definitivamente, tem sido sua grande prisão. 

Maria está com depressão. Sufocada dentro da própria casa, na noite de Natal o presente recebido fora o anúncio do marido em viagem à cidade donde passaria ao lado dos pais o nascimento de Jesus. Sem convites, deixara-a e também os filhos, e se debandara sem remorsos aparentes. Este, o mesmo marido, que alertara Maria: se a fraqueza da esposa alcançar o divórcio com a igreja a ela também lhe será abdicado o casamento.

**Esta crônica faz parte da série "Cafés baianos", que conta as histórias de pessoas e dos povoados da cidade de Barra do Choça (BA) - cidade em que nasci e vivi alguns dos anos mais felizes de minha vida.